(um texto que começou a ser escrito online há dois dias, mas para não criar mais confusão a alguém estar dedicada a um desabafo, terminei hoje..)
É díficil, subitamente, no silêncio vazio sufucante do nosso espaço, sentirmo-nos orfãos…
A maior parte do tempo é reconfortante pensar que vivo longe do passado, de uma vida de confusão, de gritos, guerras, hipocrisia, falsidade, interesse, sobressalto… mas o ser humano tem a tendência de guardar tudo o que marca naquela pequena gigante caixa chamada alma…
Sinto-me orfã na saudade de tudo aquilo que não voltará a ser, jamais…
Mas, por um lado, sinto que estou a fazer o correcto… consegui começar a encarar as coisas como elas são, e a deixá-las onde pertencem..ao passado…. Podia ter-me tornado numa pessoa amarga, fria, isolada…mas consegui que nada do que me magoou fosse mais forte do que os meus principios, a minha maneira de ser…de nada me adiantava tornar-me em tudo aquilo…só iria fazer-me sofrer ainda mais, e continuaria a carregar sobre os ombros o peso de tudo o que já não é, portanto, há que desbloquear, fazer o luto de tudo o que ‘morreu’ e começar de novo..
Assim o fiz…
Estou a passar uma fase um tanto melhor.. não estou no patamar que gostaria de estar, mas hei-de lá chegar…
Penso em como a minha vida estava no ano passado por esta altura e a diferença já é significativa, portanto, limito-me a ir conquistando as coisas á medida que a vida e o meu esforço permite, pois o facto de depender única e exclusivamente do meu trabalho para viver, e não ter o apoio ou presença de terceiros como amparo, limita-me os sonhos, mas não a esperança…
O que passei de mau também me ajudou a equilibrar a forma como sinto o que é de bom e de mau… aprendi que a vida nos passa por entre os dedos… é como se fosse uma brisa: se vem de vagar, há que bebê-la e saboreá-la o máximo que se possa antes que desapareça…
Não me adianta nem quero pensar no amanhã. Por isso vou vivendo todos os dias no equilibrio que o balanço da vida me vai permitindo…
Aprendi que as pessoas que mais fazem ou fizeram a diferença na minha vida, por algum ou todos os motivos, são as que, por algum ou muitos motivos, ‘desaparecem’ mais depressa…pois por isso, e por tudo o que passei na vida, tirei uma conclusão que adoptei como filosofia para mim…
Nada é eterno…até as coisas que damos como garantidas desde o berço desaparecem sem darmos por ela… a vida é demasiado efémera..e crua…. A diferença entre o bem estar e a dor, na maior parte das vezes está, sem que nos apercebamos, num gesto de carinho ou de afecto de alguém próximo ou até de um desconhecido… por saber o peso da diferença, pelo diferença que tal poderia ter criado em determinados momentos da minha vida, é que não me arrependo de fazer o que acho que está correcto, de dar a mão, de rasgar um rosto em choro com um afago, ou um momento triste de alguém com um abraço… são simples gestos que podem fazer a diferença entre o abismo e a segurança nalgum instante…
Mesmo que a resposta seja negativa, mesmo que o destinatário do gesto não aprecie, ou até mesmo opte por tomar outro caminho, mesmo que até saiba à partida que nunca fora intenção de ficar mais do que um segundo, nunca me arrependerei de dar o melhor de mim, nem que seja por esse segundo só, quando acredito que até pode valer a pena, por mais repentino que seja… se o fizer, é porque o meu coração assim achou por bem fazer…e por mais que não seja reconhecido, ao menos sei que tentei fazer a diferença, e que, enquanto esse segundo durou, sei que o gastei a dar o melhor que tenho.
Sei quem sou, como sou, e os principios que me guiam.. e por mais duro que se torne para mim não me deixar sair dos meus trâmites, nunca hei-de deixar de o ser para belo prazer de outros..
Não sou perfeita, mas por isso mesmo, e tal como eu própria considero “Gosta-se de alguém pelas suas virtudes, mas ama-se ainda mais pelos seus defeitos, para se conseguir lidar e viver com eles”….
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